Valorização de Serviços Ambientais de Agro-Ecossistemas em Áreas Protegidas

Transformação das Atividades

O decréscimo gradual da população a partir da segunda metade do século XX resultou numa transformação de vulto das atividades desenvolvidas na e à volta da Serra da Estrela (Fernandes et al. 2005; MCOTA 2008). Este processo tornou-se mais evidente a seguir à década de 1960, ampliado pelo êxodo, sobretudo de população ativa, que então ganhou expressão. Para além dos efeitos gerados sobre as estruturas e relações sociais comunitárias, estas migrações para fora da região afetaram as estruturas económicas tradicionais, tornando a região mais vulnerável e dependente dos processos económicos extra-locais, situação particularmente observável na década de 1970.

As atividades produtivas ligadas ao sector agro-florestal e à pastorícia conseguiram integrar-se, adaptara-se ou competir com o novo contexto económico de mercado. As lógicas associadas ao sistema produtivo capitalista, assentes na maximização do lucro, no crescimento e na adoção de processos produtivos especializados e mono-funcionais, entraram em conflito com as lógicas dos sistema de produção tradicionais locais, desenhadas para responder, primariamente, às necessidades de subsistência dos grupos domésticos, valorizando um aproveitamento diversificado e complementar dos recursos que a base ecológica oferece (Wolf 1966; Veron 1995; Baptista 1996; Cole & Wolf 1999).

Se o sector primário revelou as dificuldades de adaptação das práticas produtivas agrárias existentes, o sector industrial têxtil não foi exceção. Na década de 1980 multiplicaram-se os encerramentos de estruturas fabris, lançando no desemprego milhares de operários e impulsionando o abandono da região em favor do litoral, como já foi referido.

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Apesar dos problemas assinalados e do forte declínio observado no sector primário, a agricultura, a exploração florestal e a pastorícia mantém a sua relevância na atividade económica da região, a par de alguma atividade industrial e artesanal, sobretudo junto às principais vilas e cidades. A atividade comercial e o turismo, por seu turno, têm vindo a ganhar relevo, sendo de destacar o aumento das infraestruturas hoteleiras e o aumento da oferta de camas (Fernandes et al. 2005). O potencial económico do turismo é, aliás, amplamente reconhecido pelas estruturas político-administrativas nos planos de desenvolvimento local (MCOTA 2008). Veja-se o caso do plano de gestão do território e o modo como se reconhece o potencial dos recursos hidrológicos para o desenvolvimento do termalismo e comercialização de águas de nascente.

Atualmente destacam-se atividades ligadas ao comércio, havendo um crescente número de estabelecimentos por concelho. Celorico da Beira carateriza-se pela importância de indústrias alimentares e produtos metálicos. Na Covilhã o têxtil tem maior expressão, seguindo-se as indústrias alimentares e de produtos metálicos. Gouveia acrescenta a estes setores um número significativo de empresas ligadas à madeira. Em Celorico da Beira, permanecem importantes empresas associadas à agricultura. Em Manteigas, encontram-se um foco de alojamentos e restauração.

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