Valorização de Serviços Ambientais de Agro-Ecossistemas em Áreas Protegidas

Paisagem

A paisagem é um objeto de pesquisa transdisciplinar que acolhe aporte dos vários domínios do conhecimento necessários á compreensão das vertentes física e humana a ela associadas (Pedrosa & Sousa 2007; Burkhard et al. 2010). Desde os anos 1990 que o estudo da paisagem é tido como um exercício potencialmente útil na gestão do território e da atividade humana (Abreu & Correia 2001).

Nesta parte delimitar-se-ão as distintas áreas do PNSE, incorporando-as na heterogeneidade e complexidade da geografia da Serra da Estrela. Sistemas de informação geográfica e cartografia cedidos pela estrutura do PNSE foram recursos fundamentais para este mapeamento (Coimbra 2012).

Segundo um estudo conduzido pela Universidade de Évora para a Direção Geral de Ordenamento do Território e Desenvolvimento Urbano (DGODTDU), a Serra da Estrela caracteriza-se por um das duas unidades paisagísticas do Maciço Central (a outra é representada pelas Serras do Açor e da Lousã). O reconhecimento de diversos elementos específicos da Serra da Estrela que a distinguem das Serras da Lousã e do Açor, como as características do subsolo com a maior presença do granito (nas Lousã e Açor predomina o xisto), levaram a considerar o Planalto Central como uma subunidade do Maciço Central.

Como referido anteriormente, pouco resta atualmente daquilo que foi a cobertura de vegetação natural da Serra da Estrela. Deste modo, o PNSE pode ser visto como uma confluência de paisagens culturais descritas por Jansen (2008) como “an alternative state, brought about by human activity, to the natural system”.

No PNSE podem ser identificadas seis grandes categorias espaciais: área agrícola, matagal, floresta, zona urbana, superfície aquática e área ardida (entre 2005 e 2011).

Embora o fogo tenha desempenhado um papel importante na preparação e manutenção de pastagens, fogos selvagens descontrolados podem afetar rápida e profundamente as funcionalidades humana e ecológica da paisagem, potenciando sérios impactos a longo prazo nos padrões da paisagem. Tendo em consideração que o fogo é o principal agente de mudança dos usos da terra na Serra da Estrela, assim se justifica a sua inclusão como categoria espacial autónoma. A área de mato é cerca de 26%, 27% áreas ardidas, 21% espaços florestais, e 14% área agrícola, 4% urbano e 1% não definido, como poderemos verificar na figura 2.

Fig2

Do ponto de vista produtivo as atividades económicas dominantes nestas áreas são, principalmente, a agricultura, silvicultura e pastorícia, assim como algumas atividades industriais e artesanais junto das povoações, especialmente nos vales, a que se junta o comércio e os serviços de turismo, que apresentam tendências de crescimento.

Em 2009 segundo os dados do INE podemos fazer uma análise das culturas permanentes e temporárias bem como o número de explorações agrícolas e o tipo de utilização das terras.

Entende-se como culturas temporárias as áreas plantadas ou em preparo para o plantio de culturas de curta duração (via de regra, menor que um ano) e que necessitassem, geralmente de novo plantio após cada colheita. Como é o exemplo da batata, dos cereais para grão, prados temporários, culturas forrageiras, leguminosas secas para grão, beterraba sacarina, culturas industriais, culturas hortícolas, flores e plantas, entre outras.

Podemos verificar que no ano de 2009, segundo os dados levantados no INE, o número de explorações agrícolas com culturas temporárias se concentra nas freguesias de Seia, seguida de Videmonte, Sandomil, Melo, Paços da Serra, São Paio, São Martinho e Santa Marinha como podemos verificar na figura 3.

Entende-se por culturas permanentes a área plantada ou em preparo para o plantio de culturas de longa duração, que após a colheita não necessitassem de novo plantio, produzindo por vários anos sucessivos. Como é exemplo os frutos secos, os citrinos, os frutos subtropicais, frutos de casca rija, olival, vinha, entre outras. No ano 2009, como verificado na figura 4, o maior número de explorações agrícolas de culturas permanentes encontram-se também em Seia, seguido de Sandomil, Paços da Serra, São Martinho e Santa Marinha, São Paio e Melo, tal como as culturas temporárias. Vale de Azares, Aldeia Viçosa e Faia também apresentam um número considerável de número de explorações de culturas permanentes.

Fig3

Relativamente às explorações agrícolas em geral e tipo de utilização de terras, entenda-se superfície agrícola, Matas e florestas sem culturas sub-coberto, superfície agrícola não utilizada e outras superfícies, as freguesias que possuem maior área total são Seia, seguido de Sandomil, Santa Marinha, São Martinho, Paços da Serra, Gouveia (São Julião), Nabais Melo, Folgosinho, Videmonte, Vale de Azares, Faia, Aldeia Viçosa como identificamos na figura 5.

De um modo geral Seia é a freguesia que possui maior número de explorações agrícolas, tanto temporárias como permanentes e outros tipos de utilização da terra.

Em relação à rede urbana e estrutura de povoamento, salienta-se a atração das cidades da Guarda e Covilhã, seguidas de Seia, Gouveia e Manteigas. Na figura 6 podemos observar a rede viária principal no PNSE.

Fig4
Fig5
Fig6

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